A terapia CAR-T supera o prognóstico desfavorável no linfoma de células B de alto grau.
Um estudo recente publicado em Avanços de sanguerevela que a terapia com células CAR-T oferece benefícios clínicos significativos para pacientes com câncer de alto grau. Linfoma de células B (HGBL), uma forma particularmente agressiva de linfoma de grandes células B (LBCL). O estudo DESCAR-T LYSA, conduzido por pesquisadores franceses, focou em pacientes que receberam terapia CAR-T como tratamento de terceira linha ou posterior, incluindo aqueles com rearranjos de MYC e BCL2 e/ou BCL6 — conhecidos como linfoma de “duplo impacto” ou “triplo impacto”.
O estudo incluiu 228 pacientes do registro francês DESCAR-T, dos quais 73 foram diagnosticados com linfoma de grandes células B de alto grau (HGBL), enquanto os 155 restantes apresentavam linfoma de grandes células B não-HGBL. O objetivo do estudo foi avaliar a segurança e a eficácia da terapia com células CAR-T nesses grupos, com um tempo médio de acompanhamento de 18,5 meses.
Os resultados revelaram que as taxas de resposta global (TRG) e de resposta completa (RC) foram comparáveis entre pacientes com linfoma de alto grau (LAG) e sem LAG, sendo de 68% e 60% para LAG e de 76% e 59% para pacientes sem LAG, respectivamente (p=0,293 e p=0,923). Além disso, a mediana de sobrevida livre de progressão (SLP) para pacientes com LAG foi de 3,2 meses, em comparação com 4,5 meses para pacientes sem LAG, embora essa diferença não tenha sido estatisticamente significativa (p=0,103). Da mesma forma, a mediana de sobrevida global (SG) foi de 15,4 meses para pacientes com LAG versus 18,3 meses para pacientes sem LAG (p=0,214).
Curiosamente, quando a sobrevida global (SG) foi calculada a partir da data em que os pacientes se tornaram elegíveis para a terapia CAR-T, a SG mediana para pacientes com linfoma de grandes células B (HGBL) caiu para 7,6 meses, em comparação com 11,8 meses para pacientes sem HGBL (p=0,062), mostrando que o momento da administração da terapia CAR-T desempenha um papel crucial na melhoria dos resultados.
Entre os diferentes subtipos de HGBL, aqueles com linfoma de duplo impacto MYC-BCL2 apresentaram os piores resultados, com uma sobrevida global mediana de apenas 6,6 meses, significativamente menor do que outros subtipos de HGBL (HGBL-DH MYC-BCL6: 13,6 meses, HGBL-NOS: 18,5 meses) e pacientes sem HGBL (11,8 meses). Apesar disso, não houve diferença significativa na sobrevida global ou na sobrevida livre de progressão ao comparar o momento da infusão de células CAR-T.
A segurança da terapia com células CAR-T foi consistente em ambos os grupos, com e sem HGBL. A ocorrência de síndrome de liberação de citocinas (SLC) e síndrome de neurotoxicidade associada a células efetoras imunes (ICANS) foi semelhante entre os dois grupos. No entanto, 38% dos pacientes com HGBL necessitaram de cuidados intensivos devido à SLC, embora essa porcentagem tenha sido comparável à observada em pacientes sem HGBL.
O estudo DESCAR-T LYSA destaca o potencial da terapia CAR-T na melhoria do prognóstico de pacientes com linfoma de grandes células B de alto grau (HGBL), mesmo em linhas de tratamento mais avançadas. Embora a terapia CAR-T possa não superar completamente o prognóstico desfavorável associado a certos subtipos de alto risco, como o HGBL de duplo impacto, o estudo incentiva a intervenção precoce com essa terapia, que pode oferecer melhores resultados de sobrevida. Além disso, minimizar o tempo entre a leucaférese e a infusão de células CAR-T pode ser crucial para pacientes com doença agressiva como o HGBL.
Esta pesquisa reforça a importância da terapia CAR-T como um tratamento eficaz para o linfoma de células B de alto grau e fornece informações valiosas para otimizar os cronogramas de tratamento, visando melhores resultados para os pacientes. Estudos adicionais são necessários para explorar maneiras de aprimorar a eficácia da terapia CAR-T, particularmente em subtipos de linfoma mais complexos.










